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Segunda-feira, 25 de Junho de 2012

 

 

Corre a água pela Fonte,

Barulhando perto ao longe,

Triste e pálido mato meio sem Graça.

 

Sequiosa, a boca, comanda-se emudecida

Pelo calor da fachada

Que esconde o estro ingénito

Que acende e apaga a luz do meu ser.

 

Temos todas as razões para viver,

Mas falta-nos sempre uma razão para reparar o mundo.

Porque o mundo é ingente e pequeno,

Vê-se sempre perto de longe.

 

Brotam-se ideias e pensamentos,

Mas é certo que nunca se exuma como deve ser.

(Estará o solo insalubre?)

 

A água, pura, esvai-se

Pelo desejo ávido

Que mescla cada pedaço de mim.

 

Já nem me acho,

Deslustradas, as fotos

Que me pediram.

(Pena, os traços do rosto que se espelham na água)

 

O gesto inócuo nunca me há-de dar a conhecer o incognoscível.

 

Fosse, talvez, o mundo feito de insipidez

E fossem os dias resumidos a flores, sol e Primavera.

Fosse eu a tua sede e água da Fonte a tua boca,

Porque assim, num gesto vão, estaríamos conchavados.

 

O (nosso) mundo não é a fachada que pintamos.

 

 



publicado por Emanuel Graça às 03:25 | link do post | comentar | ver comentários (13)

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