origem

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Sou um conjunto de ideias vomitadas,

Por uma boca nómada

Onde todas as filosofias estão radicadas.

Circundada pelo ócio,

Ensopada pela vontade,

Exsurge-se-me a vontade de tudo abecedar.

 

E fosse o mundo um quadrado não explanado

Desvanecendo-se na vontade de ser achado.

(Assim giraríamos em linhas rectas, tal eco, tal eternidade)

E fosse o mundo o vácuo, que eu me calava

Só para te ouvir com os olhos.

(Pascendo-me nos céus, tal beleza)

E fosse o mundo tu e eu, mais nada,

Onde nenhuma metafísica minha estivesse errada.

(Tal utopia, tal cegueira. Paixão, essa, por inteira)

 

Mas tudo o que escrevo estropia-se no espelho.

 

Como um tiro falhado,

Sou poeta errante,

Estatuado,

Com ar de navegante,                                                                                                                             

À espera que a minha bala penetre o peito

De quem me causa deleito.

Sentimento abinício revela-se um esquisso.

Exumo tudo o que penso

Escavacando ao paroxismo do desalento.

Ego abúlico revela-se ábio

E nidificando-se em ti

Quer vida.

 

Agora, pasmo,

Chora, escondido na sombra de te ter luarejado.

(Pena que seja lucífugo)

 

Fosse o mundo o meu vómito.

Quero crer-me nele

E abluir pensamento.

Quero descrer-me que o seu motor

É como o vento,

Ora contra, ora a favor do nosso movimento.



publicado por Emanuel Graça às 22:03 | link do post | comentar

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

O meu coração é um balão

Que anseia por uma corrente de ar

Desde que os meus olhos em ti foram chocar.

Como crer não é ser, mantive-o ábdito e abscôndito até agora.

Mas desde o momento em que uma abentesma me veio relatar que,

Lá fora,

Dançavam árvores acárpicas asfixiadas na sua tristeza de terem estropiado aquilo que as embeleza,

Que ele tem vindo a inchar.

Abaloaste-me o coração sem me explanar o seu porquê.

Recorreste ao teu estro com palavras caladas pelo teu olhar eufémico de me querer causar excídio amoroso.

Chegou o ar,

O balão está amarrado por um fio. E o vento sopra, sopra tempestuoso. 



publicado por Emanuel Graça às 00:00 | link do post | comentar

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Vou-vos ser sincero: Não tenho feito a barba porque amedronto-me com a possibilidade da gillette me assassinar. É essa a mais pura e cruel das verdades, não tenho jeito para aquilo.



publicado por Emanuel Graça às 20:44 | link do post | comentar

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