origem

Sábado, 31 de Dezembro de 2011
Jeff Buckley foi uma gota de cristal num rio imerso de ruídos sentimentalistas.
Sofredor da mediocridade do mundo, celebrava desenfreadamente a dor que o mundo lhe provocava. Deambulava-se pela vida com o desejo ardente de paz e felicidade. Via-se, também, constantemente fustigado pela necessidade de descobrir a essência da vida e do amor. Apesar de toda esta complexidade aliada à sua pessoa, Buckley carregava paletes de exaltação às maravilhas com que a vida nos podia brindar. O mundo via um sonho com pernas passear-se por ele. Era ele, era o Buckley.
O presente é uma rajada de vento futura de um pretérito perfeito cujo alento resume-se ao intento de destruir o que já foi feito. Consciente da efemeridade da vida, julgava que seria sempre demasiado novo para dar pequenos passos e sempre demasiado velho para querer alcançar a poltrona.
Intrigado no que se baseavam os alicerces da vida, edificava sucessivamente sonhos e mais sonhos. Eram sonhos sonhados por um sonho. Eram sonhos de uma vida para uma vida. Edificava-os incessantemente.
Em ode constante ao sentimento, viu desvanecer-se prematuramente num sonho. Buckley arquitectava maresias de fantasias num mundo demasiado pequeno e com tamanho espaço para demasiadas fobias. Era um mundo que o assustava, intrigava, que o deixava estupefacto, incrédulo entre muitos mais vocativos. Assim como o rio que corre e o homem nasce e morre, o génio fica para a eternidade.
As memórias são meras chamas de fogo, que são fáceis de acender mas que tardam em se apagar. Por analogia, Jeff Buckley seria um incêndio em larga escala pois ainda hoje provoca um choro de saudade a muita gente. Jeff conseguiu fazer emergir a sua concepção acerca da vida através de uma maneira genial. Conseguiu com os sentimentos de uma geração flutuassem, juntamente com ele, ao largo do Mississipi. Carregou na sua alma o sonho que prevalece erecto, ainda hoje, em cada um de nós. Foi sublime.
Um último adeus que não foi dito. Uma dor muito além do que está escrito.
Haverá sempre um cristal cintilante que brilha no fundo de um rio. O rio flui, a vida continua. Continua comandada pelo sonho, graciosa. Sonho brio.

música Last Goodbye - Jeff Buckley

publicado por Emanuel Graça às 03:58 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sábado, 24 de Dezembro de 2011

Na minha cabeça lerda só fluem retóricas de merda.

Contas, eu não as fiz.

Mas pelo que sei,

E diz ela que errei,

Sou mero pedaço de uma perdiz espatifada numa poltrona de um rei.

Vida é foda que afoga a moda do amor que não se droga.

Hoje sonhei,

Hoje acordei com vontade de ir dormir.


música Paperbag Writer - Radiohead
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publicado por Emanuel Graça às 01:02 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

«Fiz de mim o que não soube

E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.», Fernando Pessoa



publicado por Emanuel Graça às 04:01 | link do post | comentar

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