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Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

O presente é uma rajada de vento

Futura de um pretérito perfeito

Cujo alento resume-se ao intento

De destruir o que já foi feito


música Noite Demais - Tiago Bettencourt

publicado por Emanuel Graça às 17:25 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

Vai um sonho a bordo do barco da vida eterna

Que tão fustigado é pelas leis da Natureza,

É o sonho que comanda a vida,

E o barco não é capitaneado, vai indefeso,

E vai, já, lá bem no fundo do horizonte…

E eis que surge uma figura, um marinheiro de olhar sisudo,

Um homem que subiu as escadas da vida há já muito tempo.

Decide capitanear o barco,

Já o capitaneia.

E prossegue-se a viagem, o homem do barco, o sonho, o barco,

Altera-se-lhe a rota rumo à frota que tem por exclusiva rota

A vida.

E o barco da vida eterna já vem a caminho,

Imerso de graciosidade,

Chega a bom porto e a figura humana dissipa-se pela neblina,

Avista-se um adeus, o seu último adeus.

Desvanece-se, cada vez mais, a sua imagem,

Desaparece.

E eu acordo,

Acabo de acodar num estranho lugar, que tão real é.

Bebo um copo de vinho,

E o vinho é lilás,

Estou no céu

E isso é o que me satisfaz.


música Help, Help - Pearl Jam

publicado por Emanuel Graça às 00:38 | link do post | comentar

Sábado, 10 de Setembro de 2011

Passeia-se pela esquinas, escondido, o eterno Belarmino,

Desgarrado de tudo, agarrado unicamente à sua mulher.

Anseiam desmedidamente voar, partir para ficar,

Desembarcar dali e não mais voltar.

Mas… não conseguem,

Existem contornos incontornáveis

Como o raposo que é manhoso e que os persegue,

Que todas as suas incidências nota e escreve,

E que é frio, frio como neve.

Belarmino avista-o,

Alarma-se, cerra os dentes e agarra-se à faca, à sua melhor faca.

Tenciona afugentar dito raposo e poder voar de uma vez, para sempre.

Aprende a lição, a lição de voo, aprende-a após muitas.

E ele já voa, esquece com azáfama o elevador,

Inútil por agora, indispensável outrora.

E continua o seu voo, lá bem alto,

Voa por amor. Voa com a sua faca, quer evitar tragédia. Voa por amor,

Um amor sangrento, um amor combate,

Um combate de amor, de amores.

Amor assim é, animal.

Amor é não haver regras, não haver polícia.

Belarmino desaparece no céu, já lá vai bem no cimo.

Disse adeus à efémera tristeza, partiu com a sua mulher,

A sua mulher a dias, a dias…

Belarmino torna-se uma incógnita, ainda existe o elevador,

Despedaçado, mas ele existe.

E o elevador será chamado um dia,

É o Belarmino, o fora de leis.


música Belarmino VS - Linda Martini

publicado por Emanuel Graça às 01:32 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
Estou estritamente zonzo
Sinto toda a minha complexa forma oval barulhando infinitamente
Julgo-me um rodopiante carrossel sem fim aparente     
Julgo-me como vestuário no seu processo de vira pureza
Julgo-me como um cego que acabou de perder a virgindade do ver
Estou esquisito
E no vasto silêncio ensurdecedor, paro e
Medito…
Não sente quem, o que está escrito?
Quem não se faz deambular pela autenticidade das linhas curvas
Simples mito

música The End - The Doors

publicado por Emanuel Graça às 00:37 | link do post | comentar

Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

música Grace - Jeff Buckley

publicado por Emanuel Graça às 19:32 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Na inocência de uma longínqua e ofuscante luz

Existe um mato verdejante, florido.

E vida, existe vida. E tanta vida que é. E existem sonhos.

Sonhos, esses, sonhados por alguém que não eu. Alguém que nunca foi ninguém,

Alguém.

Alguém sonhou e vejo o que ninguém sonhou,

Arquitecta-se e edifica-se paisagem à medida que o vento me sopra,

Uma brisa incessante me faz sonhar, um sonho, um sonho de alguém.

Ganho fé em alguém. Ignóbil de mim achar-me alguém.

Encho-me de ar, valentia e ousadia de guerreiro.

Penetro pelo mato adentro com um sonho já sonhado, outrora.

Corro continuamente com alento. Sinto-o bater, ainda vai a viagem a meio.

Sopra-se o vento contra o intento de qual não estou isento, cada vez mais e mais.

O sonho ganha chama, incendia a paisagem verdejante.

Acordo, vejo. Foi-se a luz, foi-se o escuro. Estou vivo e, inocentemente, sou alguém.

 

 


música Park song - The Dodos

publicado por Emanuel Graça às 03:36 | link do post | comentar

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