origem

Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

Destilo a cura para fugir à vida.

 

Lanço-me à cura,

Dose de amargura

Que até à morte perdura.

 

Estadia terminada,

Desta vida atada

A tudo o que é nada.

 

Parto inteiro,

Com ideal verdadeiro,

Que tudo é passageiro.

 

Imagem é tudo

E o génio que é mudo

Serve-se do seu escudo e

Solta um grito agudo.

 

Exaltação desmedida

Da vida perdida

Que agora é desvanecida.

 

Toco um avião

Sem tirar os pés do chão,

Com uma vida na mão.

 

Perde-se a paisagem

Num falhanço de coragem e

Descarrila a carruagem.

 

Sou, por fatia,

Eu nesta poesia,

Parte do que queria.

 

Rompe-se o véu,

Olho o céu,

Não sou eu.

 

Estrela brilhante.

Brilho ofuscante

Da paisagem deslumbrante.

 

Cego de mim,

Achar-me afim

De sucumbir ao fim.

 

Luto

Contra os tempos adversos,

E acho-me no fim dos oceanos. São pensamentos imersos.

Esqueço-os, atento no mar e escuto.

 

É vida,

Maravilha quase ida.

É vida,

Um sonho.

Um futuro,

Desnudo, tal eu.

Olvido-me do escuro

Para edificar muro.

Juro,

É vida.

 

A morte desertou-se. O cenário de cura dissipou-se. A paisagem do abismo serviu de frete. O recado foi acatado, quase fui enganado por um cenário inacabado. É vida, é certo. É vida, a rota do incerto. É vida, sou eu. É vida, quão perto?

 

A morte quis jogar à cabra cega mas eu não estava vendado.


tags: , ,

publicado por Emanuel Graça às 02:27 | link do post | comentar

4 comentários:
De Bruno Pires a 3 de Janeiro de 2012 às 15:44
Parabéns, adorei o poema. Adoro a maneira como escreves e trespassas os teus sentimentos para o papel. Nota-se que tens a chamada «veia de poeta». Adorei o último verso: simples, objectivo e com um simbolismo tremendo. Parabéns pelo blog (do qual sou seguidor atento). Cumprimentos, Bruno.


De Emanuel Graça a 3 de Janeiro de 2012 às 15:49
Os meus sinceros agradecimentos, Bruno, pelos elogios. Sinto-me bastante lisonjeado. Cumprimentos,
Emanuel Graça.


De Anónimo a 4 de Janeiro de 2012 às 02:41
Parabéns. Excelente poema. O Bruno roubou-me as palavras quanto ao último verso, é arrebatador e apetrechado de simbolismos. Continuação de bom trabalho, Sónia.


De Emanuel Graça a 4 de Janeiro de 2012 às 23:28
Obrigado, Sónia. :)


Comentar post

mais sobre mim
Posts mais comentados
arquivos

Janeiro 2013

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Setembro 2011

blogs SAPO
subscrever feeds