origem

Sábado, 10 de Setembro de 2011

Passeia-se pela esquinas, escondido, o eterno Belarmino,

Desgarrado de tudo, agarrado unicamente à sua mulher.

Anseiam desmedidamente voar, partir para ficar,

Desembarcar dali e não mais voltar.

Mas… não conseguem,

Existem contornos incontornáveis

Como o raposo que é manhoso e que os persegue,

Que todas as suas incidências nota e escreve,

E que é frio, frio como neve.

Belarmino avista-o,

Alarma-se, cerra os dentes e agarra-se à faca, à sua melhor faca.

Tenciona afugentar dito raposo e poder voar de uma vez, para sempre.

Aprende a lição, a lição de voo, aprende-a após muitas.

E ele já voa, esquece com azáfama o elevador,

Inútil por agora, indispensável outrora.

E continua o seu voo, lá bem alto,

Voa por amor. Voa com a sua faca, quer evitar tragédia. Voa por amor,

Um amor sangrento, um amor combate,

Um combate de amor, de amores.

Amor assim é, animal.

Amor é não haver regras, não haver polícia.

Belarmino desaparece no céu, já lá vai bem no cimo.

Disse adeus à efémera tristeza, partiu com a sua mulher,

A sua mulher a dias, a dias…

Belarmino torna-se uma incógnita, ainda existe o elevador,

Despedaçado, mas ele existe.

E o elevador será chamado um dia,

É o Belarmino, o fora de leis.


música Belarmino VS - Linda Martini

publicado por Emanuel Graça às 01:32 | link do post | comentar

1 comentário:
De Luís Guedes a 10 de Setembro de 2011 às 19:51
Grande, grande poema. Que metáfora absolutamente perfeita. Adorei. A metáfora do "raposo que é manhoso" é extraordinária. Os meus parabéns e estarei atento ao blog, de certo. Luís Guedes, Setúbal.


Comentar post

mais sobre mim
Posts mais comentados
arquivos

Janeiro 2013

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Setembro 2011

blogs SAPO
subscrever feeds