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Terça-feira, 22.01.13

 

A água fria

Nunca como

Outrora esteve

Porque o presente

No passado

Nunca existirá

Tal como tu.

 

A água quente

Nunca como

Outrora esteve

Porque o presente

No passado

Nunca existiu

Tal como tu.

 

A água amena

Nunca como

Outrora esteve

Porque o presente

No passado

Não existe

Tal como tu.

 

É na envolvência

Pura cristalina

Líquida incolor

Imaculada

Que

Me apercebo da tua existência

Tal presente

 

É na envolvência

Pura cristalina

Líquida incolor

Imaculada

Que

Me apercebo da tua existência

Tal passado que nunca tinha existido ou que existirá

 

Os tempos mudam

A sua essência

Tua

Não

Porque os ciclos

Artimanhas

De outrem

Aniquilam ser estar

Puro sonho

De mim

Líquido

Sonhador nato

Nadador do olimpo

Aspirante a nada

Que não teu domador

 

Mas tu nunca exististe

Tal como eu

Impedido de viver

A vida morto

Vi passar

Vivo

Morte espero

Porque na noite em que nasci

A lua era grande e redonda

Vermelha fogo

Ardia

E podia sonhar

Que estava aí mesmo

Estando a um milhão de milhas de

Distância

Agora as aves zumbem

Sonhar não

E eu flutuo pelas águas vivas

Morto

Com o teu retrato

Bem aprisionado aos meus olhos

Que nunca existiu

 

Tu

Nunca

Exististe

Sei que nunca exististe

Saberás tu

Bem sabes da minha existência

Estou abraçado a ti

Bem sei que sabes que sei que estou abraçado a ti


sinto-me Radamel Falcao

publicado por Emanuel Graça às 03:41 | link do post | comentar

Domingo, 20.01.13

Nunca nenhuma merda se resolveu sozinha

Nem nunca se resolveu merda nenhuma,

Não digo, tenciono

Exequível não,

Pueril sou.

 

Fodido é não ser, sendo

Mais fodido é ser, não sendo.

 

As janelas já nem sequer existem:

Não há paisagens, não há campos

Não há vento nem há puta que vos pariu a

Todos.

 

Invisual,

Fodido é ver

Crendo o que se quer,

Querendo o que se quer crer.

Existir por crer querer acabar ali,

Enquanto a nossa existência se estrangula

Por não acabar

Aqui.

 

A voz…

Ah, a voz…

Oh Oh Oh, a voz,

Essa filha da puta que se cala sempre

Falando,

Até se emudece de

Tanto

Haver p’ra dizer.

Bomba-relógio, boom

Soluçar e gaguejar.

 

Os olhos explodem,

Gritam aquilo que a voz cala,

Desnudam-nos,

Como flores tristes que rebentam durante Primavera.

Os pássaros já nem voam

Por

Voar,

Já nem cantam o canto

Que cantavam e que tão bem se vestia

Nos nossos ouvidos;

O canto é menos doce

E menos livre, menos

Sedutor.

O paladar da Primavera já foi menos agreste

Agora,

As lágrimas ácidas me

 Percorrem

O rosto.

Deterioração.

Meneio-as,

Len-

-Ta-

-Mente,

Como se a vida fossem

5 segundos.

Não o são,

Resta a Eternidade para a viver.

 

Dor, amargura.

 

A Primavera já nem existe,

Pelos menos por agora

Que ainda vamos no primeiro mês,

Mas as merdas ainda as existem

E nem com o luzir das mais belas flores

E com o canto do mais belo pássaro

As resolvemos

Sem que acabemos

Pela parte

Connosco

Ali e acolá.

Já não sei onde vou,

Fui deslustrado do calendário

Da vida.

Vivo

Morto

Por seus capítulos

E nem os aromas perfumados

De março

Evitam o vómito

Fruto

Do cheiro à merda

Que a filha da puta da vida às vezes nos dá.

 

Que chegue a Primavera.


sinto-me Radamel Falcao

publicado por Emanuel Graça às 17:03 | link do post | comentar

Sábado, 14.07.12

Paro por estas bandas apenas para dizer-vos o seguinte: ESTOU DE FÉRIAS, CARALHO!!1!!

 



publicado por Emanuel Graça às 00:41 | link do post | comentar

Quarta-feira, 04.07.12

O maior mudo é aquele que cala a mão.



publicado por Emanuel Graça às 01:41 | link do post | comentar

Segunda-feira, 25.06.12

 

 

Corre a água pela Fonte,

Barulhando perto ao longe,

Triste e pálido mato meio sem Graça.

 

Sequiosa, a boca, comanda-se emudecida

Pelo calor da fachada

Que esconde o estro ingénito

Que acende e apaga a luz do meu ser.

 

Temos todas as razões para viver,

Mas falta-nos sempre uma razão para reparar o mundo.

Porque o mundo é ingente e pequeno,

Vê-se sempre perto de longe.

 

Brotam-se ideias e pensamentos,

Mas é certo que nunca se exuma como deve ser.

(Estará o solo insalubre?)

 

A água, pura, esvai-se

Pelo desejo ávido

Que mescla cada pedaço de mim.

 

Já nem me acho,

Deslustradas, as fotos

Que me pediram.

(Pena, os traços do rosto que se espelham na água)

 

O gesto inócuo nunca me há-de dar a conhecer o incognoscível.

 

Fosse, talvez, o mundo feito de insipidez

E fossem os dias resumidos a flores, sol e Primavera.

Fosse eu a tua sede e água da Fonte a tua boca,

Porque assim, num gesto vão, estaríamos conchavados.

 

O (nosso) mundo não é a fachada que pintamos.

 

 



publicado por Emanuel Graça às 03:25 | link do post | comentar | ver comentários (13)

Quarta-feira, 30.05.12

Despe a carne o medo,

Lúcido,

Em passos estagnados 

Pelos pés à corda atados.

 

(Porque o mundo despido é da cor que o vês.)

 

Falasse a mão, 

Ou cantasse.

Porque nem as letras se lêem a si próprias,

Nem os números se somam sem um operador.

 

(Porque desnudo tudo é cru e verde e eu gosto ser racional e esquecer a razão.)

 

Porque eu podia gastar a minha garganta com o espelho,

Que ele não me falaria.

Porque imagem é crença

E o medo é teima

Que sidera a doença.

 

(Porque os ecos voam daqui para acolá e num dia mau consegue-se vê-los para sempre.)

 



publicado por Emanuel Graça às 02:03 | link do post | comentar

Sábado, 26.05.12

Quem me dera ser um pequeno Caeiro

E nada saber.

Tudo ver e nada crer.

 

(Fosse eu a surdez que pairasse no seio da imensidão deste barulheiro)

 

Mas calada a voz, berra a mão

E a mente surda tropeça e cai no chão.

Pequenos pedaços de mim dançam pelo asfalto

Ao som de uma música silenciada por um soluçar cabisbaixo.

 

Quando tudo se tenta complanar, tudo se esquiva e nada se encontra.

Nada vejo, o paroxismo sentimental confere-me uma paisagem cenosa.

É hora de tudo crer.

(Houvesse outro remédio)

 

Que se foda o Kant, que se foda o Descartes, que se foda o Sócrates,

Porque nada inibe a vontade, porque nada é intencional,

Porque o relógio quer rodar no sentido anti-horário,

Porque tudo é latebroso e nada é certo,

Porque tudo quanto que me incrassa o coração e me combure a carne

É concolor e me compele a necessidade de o menear de mim.

Porque eu não sou Caeiro e penso.

Porque eu sou dois: Alma e Coração.

Um deles se acidentará.

Que seja o coração porque a alma é eterna e descinge-se a toda a parte.

Que seja a alma porque só existe um coração e se se desdoura tudo fica pobre e incompto.

 

(Puta que pariu estas retóricas das três da manhã feitas a ouvir duas gotas de suor a cair pelo rosto da marioneta de Ian Curtis)

 

Que se foda a alma e que se foda o coração,

Porque os céus são grandes e aqui tudo é pequeno,

Porque

In heaven

Everything is fine

You got your good thing

And I’ve got mine,

Porque nos céus tudo é incorpóreo.

 

Fosse o céu a Terra,

Que a Terra se nidificava em mim.

Tudo em mim é espuma em abundância e se dissipa com o vento.

Porque o presente é uma rajada de vento

Futura de um pretérito perfeito,

Cujo alento se resume ao intento de destruir o que já foi feito.

 

Mas chega de utopias,

Porque não adianta querer luarejar a vida

De quem é lucífugo.

 

Se nem o cego aprimorou o ouvido e

Se o estuque caiu e ninguém varreu o chão,

Resta esperar que o vento sopre os pós, levante poeira,

Cegue o surdo.

Porque eu penso e sinto,

Não sou Caeiro, sou alma e coração,

E o tempo não existe.


música Joy Division - Heart and Soul

publicado por Emanuel Graça às 03:31 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 14.03.12

Sou um conjunto de ideias vomitadas,

Por uma boca nómada

Onde todas as filosofias estão radicadas.

Circundada pelo ócio,

Ensopada pela vontade,

Exsurge-se-me a vontade de tudo abecedar.

 

E fosse o mundo um quadrado não explanado

Desvanecendo-se na vontade de ser achado.

(Assim giraríamos em linhas rectas, tal eco, tal eternidade)

E fosse o mundo o vácuo, que eu me calava

Só para te ouvir com os olhos.

(Pascendo-me nos céus, tal beleza)

E fosse o mundo tu e eu, mais nada,

Onde nenhuma metafísica minha estivesse errada.

(Tal utopia, tal cegueira. Paixão, essa, por inteira)

 

Mas tudo o que escrevo estropia-se no espelho.

 

Como um tiro falhado,

Sou poeta errante,

Estatuado,

Com ar de navegante,                                                                                                                             

À espera que a minha bala penetre o peito

De quem me causa deleito.

Sentimento abinício revela-se um esquisso.

Exumo tudo o que penso

Escavacando ao paroxismo do desalento.

Ego abúlico revela-se ábio

E nidificando-se em ti

Quer vida.

 

Agora, pasmo,

Chora, escondido na sombra de te ter luarejado.

(Pena que seja lucífugo)

 

Fosse o mundo o meu vómito.

Quero crer-me nele

E abluir pensamento.

Quero descrer-me que o seu motor

É como o vento,

Ora contra, ora a favor do nosso movimento.



publicado por Emanuel Graça às 22:03 | link do post | comentar

Quinta-feira, 08.03.12

O meu coração é um balão

Que anseia por uma corrente de ar

Desde que os meus olhos em ti foram chocar.

Como crer não é ser, mantive-o ábdito e abscôndito até agora.

Mas desde o momento em que uma abentesma me veio relatar que,

Lá fora,

Dançavam árvores acárpicas asfixiadas na sua tristeza de terem estropiado aquilo que as embeleza,

Que ele tem vindo a inchar.

Abaloaste-me o coração sem me explanar o seu porquê.

Recorreste ao teu estro com palavras caladas pelo teu olhar eufémico de me querer causar excídio amoroso.

Chegou o ar,

O balão está amarrado por um fio. E o vento sopra, sopra tempestuoso. 



publicado por Emanuel Graça às 00:00 | link do post | comentar

Quarta-feira, 07.03.12

Vou-vos ser sincero: Não tenho feito a barba porque amedronto-me com a possibilidade da gillette me assassinar. É essa a mais pura e cruel das verdades, não tenho jeito para aquilo.



publicado por Emanuel Graça às 20:44 | link do post | comentar

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